E se conseguir?

E se conseguir?

Por Thalita Nunes

Eu queria compartilhar uma notícia que realmente me animou ao longo dessa semana. A manchete dizia assim: “Jovem da periferia louva Deus ao passar em 1º lugar em Medicina na USP.”

Wesley de Jesus Batista, de 23 anos, morador da periferia de Salvador, conquistou o primeiro lugar no curso de Medicina da Universidade de São Paulo, uma das universidades mais concorridas do país.

E o mais impressionante: ele estudou sozinho. Wesley concluiu o ensino médio em uma escola pública em 2019 e se preparou para o vestibular usando apenas materiais gratuitos, livros do colégio e um celular. Não tinha computador em casa e, por isso, ia até a escola para fazer os simulados do Enem nos computadores da instituição. 

Filho de um pedreiro e de uma empregada doméstica, Wesley se aproximou da Medicina ainda na infância, ao conviver com crises de asma crônica. A experiência despertou nele o desejo de cuidar de vidas.

Mas, além de toda a dedicação e esforço, ele fez questão de deixar claro algo muito importante: ele creditou essa conquista a Deus. Em suas palavras:

“Eu gostaria de deixar uma mensagem pros meus pais e para o público. Agradeço muito a eles, porque sem o apoio deles eu não teria chegado até aqui. Seria apenas mais um dentro das estatísticas ruins.
Agradeço, sobretudo, a Deus por ter me permitido alcançar o que, muitas vezes, parecia inatingível. Batalha após batalha sendo vencida, com esforço e resiliência no processo. Jesus Cristo, meu porto seguro, e a consistência sempre estiveram lado a lado comigo de mãos dadas, me fazendo companhia e não me permitindo esmorecer no caminho árduo que percorri. A Deus, sou eternamente grato por estar vivendo o extraordinário, fruto de muita luta e gana de vencer!”, escreveu.

Que mensagem bonita. O que mais me impactou foi a gratidão do Wesley. Ele não negou as dificuldades, elas existiram – e muitas, mas escolheu não focar nelas. Ele confiou, descansou em Deus e fez a parte que cabia a ele, acreditando que a vitória chegaria.

Essa história nos lembra que as circunstâncias ao nosso redor não definem quem nós somos. E não, isso não é fácil. Foram seis anos de preparo, persistência e renúncias. Mas, às vezes, tudo o que precisamos é continuar, mesmo com medo, mesmo cansados, mesmo sem garantias.

Essa semana, lendo o livro A Lâmina Mais Cortante, da Rebeca Sousa, me deparei com um diálogo que conversa muito com essa história. A protagonista pensa:
“E se eu não conseguir?”
E Hércules responde:
“E se conseguir?”

Que a gente tenha coragem de viver esse “e se conseguir”.
Que a gente escolha acreditar, tentar e dar o próximo passo, mesmo quando o caminho parece improvável. Porque é justamente assim que o extraordinário começa.

Matéria Completa – G1/Globo – https://g1.globo.com/fantastico/video/doutor-wesley-14328156.ghtml

Thalita Nunes